Quando fui chamado para a empresa, me venderam a Disney. Em poucos dias, ficou claro que o máximo que existia ali era uma Carreta Furacão — depois de uma exaustiva semana de provas, o que faz sentido, já que o nível de maturidade corporativa ainda não chegou ao ensino superior. Existe um mundo corporativo fora de Pelotas que claramente ainda não foi descoberto.
O organograma é uma obra de ficção. Oficialmente existe um CEO. Na prática, quem manda nos bastidores é um “COO” que joga o mais clássico jogo político de gente insegura: gerar ruído para justificar um salário astronômico. Se precisar voltar ao “mercado real”, talvez encontre dificuldades até para uma vaga de PM júnior.
As decisões estratégicas são, no mínimo, curiosas. Existe um problema sério com o modelo PJ, que mais cedo ou mais tarde vai estourar — mas ao invés de uma CLTização, estamos vivendo uma “Pelotização”: tudo adaptado ao conforto local, ignorando completamente boas práticas legais e de mercado.
A empresa atrai e retém majoritariamente quem nunca trabalhou em grandes empresas e é de Pelotas, com destaque para um time de People que opera sob uma liderança temporária e bastante questionável. Layoff, equiparação salarial, desenho de cargos, estrutura organizacional… tudo parece improvisado, aprendido no YouTube ou no “sempre foi assim”.
Não existe LTI, o bônus é confuso, mal comunicado e aparentemente incompreensível — inclusive para quem criou a fórmula. O curioso é que, mesmo pagando apenas a média do mercado, a liderança realmente acredita estar fazendo um grande favor financeiro aos colaboradores.
O que mais dói é que tinha tudo para ser um baita case de sucesso, no Brasil e fora dele. Produto, mercado, timing. Mas a mentalidade de empresa familiar de interior foi o freio de mão puxado no meio da estrada.
O ponto mais triste: quem ficou. As pessoas que hoje leem os reviews negativos recentes, ao invés de absorver críticas legítimas, entram automaticamente em modo defensivo, tentam contra-argumentar ou — como já aconteceu antes — riem com ironia, como se isso anulasse os problemas estruturais.