Pros
Não consigo, honestamente, enumerar virtudes que justifiquem a permanência neste lugar. Há, sim, um esforço quase hercúleo dos que aqui atuam – mesmo sob um contrato que teima em chamá-los de PJ, quando a realidade da subordinação diz exatamente o oposto, com todos tendo vínculos empregatícios – para que os ânimos não se desintegrem por completo. A gerência, coitada, ainda tenta filtrar as piores decisões que descem da cúpula, mas é uma batalha perdida; a quantidade de assédio e abusos que se tornaram moeda corrente acaba por tornar qualquer tentativa de ambiente saudável algo absolutamente intragável. O único alento, se é que se pode chamar assim, é o direito a 30 dias de descanso anual, que se mantém como uma ilha em meio ao caos.
Cons
Do lado de dentro, a realidade é cruel: o pagamento é contado por hora, e cada hora depende de uma validação que nunca vem, e de critérios que parecem mudar conforme a lua. A falta de tarefas, irônica para quem precisa trabalhar, é um fantasma que assombra o bolso, gerando dias sem faturamento. O salário já nasce defasado e permanece estagnado, sem nunca ver um reajuste. O desrespeito e a humilhação, infelizmente, viraram itens da rotina, tão certos quanto o café. Não há 13º, não há vale, não há plano; há, em compensação, a obrigação de participar de um ritual que mistura coaching com misticismo, onde somos forçados a trocar toques em nome de uma tal "energia", chamado de barra de access – e quem ousa recusar esse teatro é prontamente advertido ou dispensado.